Passar o feriado todo estudando, além de aliviar a consciência, provou que a leitura acadêmica pode ser uma diversão à parte. É engraçado que os autores das obras ditas científicas se preocupem tanto com o formalismo a ponto de enclausurar o conhecimento numa escrita hermética e, por vezes, de mau gosto.
A prática consolidada há mais tempo consiste em manter a todo custo a impessoalidade do texto, julgando transmitir uma suposta credibilidade. Ainda que fique muitíssimo claro que aquela seja uma opinião pessoal do autor, ele jamais poderá dizê-la diretamente (na 1ª pessoa); deve recorrer a quantos constata-se, infere-se e frise-se forem necessários.
Ora, que eu saiba já há consenso acerca da impossibilidade de completo distanciamento entre o sujeito e seu objeto de estudo, de modo que nenhum conhecimento está imune às subjetividades humanas. No entanto, e apesar do esforço da filosofia pra manter o positivismo longe ao menos das ciências humanas, o ranço permanece.
Eu concordo totalmente que a linguagem dos textos científicos deva ser a denotativa (aquela de quando usamos as palavras em seus sentidos mais restritos; os sentidos do dicionário), mas com o objetivo único de facilitar a compreensão dessas obras, cujo conteúdo já é, por si só, complexo. Daí a pensar que denotação pressupõe impessoalidade, é uma forçação de barra. O uso da 1ª pessoa não desmerece o texto, nem sugere que ali serão abordadas confissões íntimas; apenas elucida que aquela afirmação parte de convicções do autor.
Notícia aparentemente boa: alguns juristas resolveram enfim abandonar a falsa impessoalidade e já escrevem na 1ª pessoa...
...do plural, vejam só! O futebol é mesmo uma caixinha de surpresas; agora exporta vício de linguagem.
Assim, embora o livro seja assinado por apenas uma pessoa e defenda tese divergente do resto da doutrina, o escritor, receoso de parecer pedante frente à tão modesta classe jurídica, falará não apenas por si mas também pelo co-autor imaginário.
É nós em campo, sempre respeitando o adversário.
A prática consolidada há mais tempo consiste em manter a todo custo a impessoalidade do texto, julgando transmitir uma suposta credibilidade. Ainda que fique muitíssimo claro que aquela seja uma opinião pessoal do autor, ele jamais poderá dizê-la diretamente (na 1ª pessoa); deve recorrer a quantos constata-se, infere-se e frise-se forem necessários.
Ora, que eu saiba já há consenso acerca da impossibilidade de completo distanciamento entre o sujeito e seu objeto de estudo, de modo que nenhum conhecimento está imune às subjetividades humanas. No entanto, e apesar do esforço da filosofia pra manter o positivismo longe ao menos das ciências humanas, o ranço permanece.
Eu concordo totalmente que a linguagem dos textos científicos deva ser a denotativa (aquela de quando usamos as palavras em seus sentidos mais restritos; os sentidos do dicionário), mas com o objetivo único de facilitar a compreensão dessas obras, cujo conteúdo já é, por si só, complexo. Daí a pensar que denotação pressupõe impessoalidade, é uma forçação de barra. O uso da 1ª pessoa não desmerece o texto, nem sugere que ali serão abordadas confissões íntimas; apenas elucida que aquela afirmação parte de convicções do autor.
Notícia aparentemente boa: alguns juristas resolveram enfim abandonar a falsa impessoalidade e já escrevem na 1ª pessoa...
...do plural, vejam só! O futebol é mesmo uma caixinha de surpresas; agora exporta vício de linguagem.
Assim, embora o livro seja assinado por apenas uma pessoa e defenda tese divergente do resto da doutrina, o escritor, receoso de parecer pedante frente à tão modesta classe jurídica, falará não apenas por si mas também pelo co-autor imaginário.
É nós em campo, sempre respeitando o adversário.
6 PALPITES:
ótimo texto!
hhahahhahha
e uma das coisas mais engraçadas da hora do almoço é ver esses programas de esporte.
só saem as pérolas ali.
beijos e tava com saudade das suas palavras :)
Lorena,
Já sou uma fã dos seus posts! Sempre venho dar uma olhada se tem algum texto novo.
Você escreve muito bem. (na minha humilde opinião! rss)
acabo sempre voltando e lendo um texto em especial: "A você".
de uma leitora assídua,
Carol
Você cometeu um erro, se quis imitar os paulistanos. Aqui não se escreve "é nós", mas... "é nóIs" hehehe o "i" é o diferencial.
leia algum texto de exatas, então... Foram 5 anos e meio de tédio.
Excelente, Lore.
escrever em 1ª pessoa do plural também é descaração... não se fala pelos outros...
Concordo! Mas um dia essa gente toma vergonha.rs
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