23.11.11

insônia


Tem um instante da noite, em que eu não respiro, chamado ausência. Toda noite o instante ameaça o sono, como quem avisa: "não dê bobeira que eu tô bem vivo"! Foram anos resmungando da insônia até entrar num acordo comigo: são cerca de 16 horas do dia destinadas a dar o máximo de sentido à vida, justamente para que, à noite, o instante dure o exato instante, nada mais que isso. Nessa picuinha diária (16 horas contra o instante maldito), o graaaande desafio é combinar as escolhas a longo prazo com os prazeres imediatos; e nisso eu sofro muito! Quem tem "o instante" logo ali, de tocaia pra lhe roubar o ar, não tem tempo pra burocracias... até perceber que, sem elas, a vida também não faz sentido.

Eu gosto de acreditar que evoluí nesse desafio, mas devo admitir que ainda não consigo decidir milhões de coisas... Só ilustrando, do representativo dilema entre casar e comprar uma bicicleta: esse ano eu me retei e comprei a bendita magrela - semanas depois os pneus estavam murchos e a corrente enferrujada. Tampouco me casei, e muito pelo contrário! Mas e daí, se eu nunca quis casar nem ter uma bicicleta (embora tenha sido bom enquanto "duraram")? A questão é sempre essa: o que eu quero mesmo?

E aí entra o instante.

Pelo tamanho da ausência, o sentido que darei à vida amanhã terá de ser um gigante!!!

1 PALPITES:

Anônimo disse...

Lori!! Moça, acho que esse momento, de reflexão e ao mesmo, tempo, disciplina arrancada com suor, está bem parecido pra mim =)

Mas, sei lá, acho que tô me encontrando, mais que me perdendo, no meio desses diários recomeços.

Quando aparecer por aqui, vamos trocar figurinhas.

beijos

Renata