24.12.11

então é natal


Andando pelas vizinhanças hoje, atônita com o clima natalino alheio, encontrei um sebo escondido onde me senti menos só que em qualquer outro lugar recente. É alentador ser enfim capaz de dividir algo - ainda que seja o vazio - e aquele senhor vasculhando estantes à procura de companhia me deu conforto.

Na madrugada, respirando outras vidas pela varanda, a solidão deu nova trégua - livros usados são sempre cheios de histórias anexas... Numa página de quina dobrada, o texto grifado de verde me dizia:

O que o vento não levou (Quintana)
No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

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